O João tem agora 5 anos e tem diabetes tipo 1 desde os 21 meses. Neste espaço partilho tanto as minhas alegrias e as minhas conquistas, como os meus receios e tristezas em relação à diabetes do meu filho, na esperança de que a minha história ajude outros pais de crianças com diabetes.















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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Festas de Carnaval...com boas glicémias

Bem... já aumentei a Lantus e as glicémias parecem ter voltado ao normal. Agora basta fazer mais umas observações para ter a certeza de quais são as novas regras.

Entretanto, estamos no Carnaval.

Na sexta-feira passada, o João participou no desfile de carnaval, como todos os meninos da sua escola. Ainda é uma caminhada assustadora (para mim, claro!) Eu e o  pai fomos sempre acompanhando o desfile, fazendo-lhe sinais para que nos fosse dizendo se se estava a sentir bem e comeu umas bolachinas antes de começar, mas de resto fez o mesmo que os outros meninos e divertiu-se. Correu tudo bem. Glicémia ao almoço, depois do desfile: 123.

De tarde, na escola, fizeram um lanche especial, uma festinha. Geralmente quado há algum acontecimento diferente (o mais comum são festejos de aniversários, com o respectivo bolo), pergunto à educadora o que vai haver para comer, calculamos o que ele vai comer, ela dá-lhe a insulina e ele come. A desvantagens é que por vezes há mais alguma coisa para comer de que a educadora não se apercebeu e ele já não pode comer ou então ele gostou tanto que quer repetir e já não pode. Na sexta-feira dei instruções à educadora para medir a glicémia e, caso os valores estivessem abaixo dos 150, para o deixar comer tudo o que ele quisesse e que me telefonasse a seguir para calcularmos a insulina.

A educadora ligou-me depois do lanche, a rir: "Não imagina o que ele comeu! Estava tão feliz! Comeu 2 pães de leite com pasta de chouriço, uma fatia de bolo de aniversário de chocolate e chantili, uma fatia de bolo mármore, pipocas salgadas, doritos e dois chocolates pequeninos".

Olhem, fiz umas contas que nem sequer foram a olhómetro, pois nem sabia o tamanho das fatias de bolo ou a quantidade de pipocas, fiz assim: 2 pães de leite, 2 equivalente, duas fatias de bolo, 2 equivalentes, e para o resto mais 2 equivalentes. E disse para lhe darem 3 unidades de humalog.

E sabem que mais? Ao jantar tinha 105. E estava tão feliz, mas tão feliz! Não falava de outra coisa e dizia: "Mãe, comemos que nem uns gulosos!" Não sei se dá para perceber, mas este "nós comemos" é muito importante! Pela primeira vez, ele sentiu que podia fazer tudo aquilo que os outros fazem. Escusado será dizer que esteve o resto do fim de semana a dieta de porcarias!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Lutas diárias: controlo das glicémias e dos ânimos

O João fez anos em Novembro, já está um rapazote de cinco anos. Bem disposto, inteligente e muito meiguinho. Vou distribuindo as minhas preocupações entre o controlo das glicémias e a luta para que não se sinta triste por ter diabetes. Para começar, tenho tentado melhorar a minha atitude em relação à doença e, sobretudo, às glicémias menos boas.

Quando, na última consulta, a médica começou a dizer "as glicémias do João estão...", ele completou a frase baixinho "más". Até a médica ficou espantada a olhar para ele. Acho que estou a precisar de expressar menos a minha frustração com o controlo das glicémias quando ele está por perto. Acho sempre que ele nem está a ligar ou que controlo muito bem as minhas reacções e comentários ao pé dele, mas parece que não é bem assim...

Outra coisa que comecei a reparar que ele faz é querer comer alguma coisa e não dizer nada. Fiquei triste quando me apercebi disso. É muito pequenino para ter de aguentar a frustração. Prefiro que peça e, se não puder comer, negociamos para comer noutra altura. Até prefiro que se zangue comigo por não o deixar comer...

Quando se trata de doces, continua a ser complicado para mim determinar que quantidade de guloseimas é aceitável. Como é o meu único filho e como ouço a nutricionista e os pais a dizerem uma coisa, mas vejo os meninos a fazerem outra, estou sempre a questionar-me e à procura de um equilibrio. Mas, em geral, se ele pede, e pede muitas vezes, dou-lhe. Tento é guiá-lo para que escolha guloseimas que não lhe façam muito mal (com pouco açucar e/ou pouca gordura). A única regra que nunca deixo que seja quebrada é: doces, só depois da refeição. Não só para podermos ajustar a insulina, mas também porque assim acaba por absorver menos açucar.

Este mês foi, pela primeira vez, passar a tarde a casa de um amiguinho do infantário. Fiquei muito agradecida aos pais do menino que, sem saberem nada sobre diabetes, se disponibilizaram para tomar conta dele. Correu tudo muito bem. Ele adorou, claro. As glicémias estiveram óptimas. Eu passei a tarde a andar para a frente e para trás (fui levá-lo, passada hora e meia fui medir a glicémia para o lanche e dar a insulina e passada mais hora e meia fui buscá-lo) e preocupadíssima com as glicémias, mas o mais importante foi que demos mais um passo para que ele tenha uma vida saudável, recheada de coisas boas e o mais parecida possível com a dos outros meninos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Verão, gelados e boas glicémias

Quem não gosta de sair num sábado à tarde, parar numa esplanada (de preferência à beira-mar) e comer um gelado, descontraidamente, com a família e os amigos?

Desde que o João foi diagnosticado com diabetes esse foi um dos prazeres de que nos temos privado. Continuávamos a dar os passeios em dias de bom tempo, mas sempre que via as outras famílias "normais" a comer o tal gelado, ficava triste, tenho de o confessar.

O João nunca comeu um gelado desses de rua...

Este ano decidi que iria pôr um fim a este castigo. Fui ao site da Olá e consegui a quantidade de hidratos de carbono dos principais gelados para crianças. Tenho tudo apontadinho na minha agenda, que me segue para todo o lado. O plano é aguardar pela hora do lanche, levar uma fonte de hidratos de absorção lenta, que será a primeira parte do lanche e a seguir: gelado!


Deixo a informação para quem a quiser usar e relembro que uma porção de hidratos de carbono tem entre 12 a 14 gr de Hidratos de Carbono:

Supermaxi - 10 gr de HC
Perna de Pau - 18 gr de HC
Épa - 10 gr de HC
Mini-milk - 5 gr de HC
Corneto de chocolate - 27 gr de HC

E viva o Verão e a contagem de hidratos de carbono!

terça-feira, 15 de março de 2011

Biscoitinho de canela

Antes de descobrir esta receita de biscoitos, tinha sempre em casa 6 ou 7 qualidades diferentes de bolachas porque, por vezes, queria que o João comesse uma bolacha entre refeições por desconfiar que os valores da glicémia não iriam aguentar até à hora da refeição seguinte e começava a oferecer: queres uma destas? Não! Então uma destas, queres? Já não gosto dessas! Era um desespero.

Um dia ele pediu para provar uns biscoitos, em forma de rosca, comercializados, mas caseiros, e que, pelo teste do paladar, pareciam não ter muito açucar. Eram uma bomba! Valores altíssimos, choradeira porque queria mais um biscoito...

Arranjei uma receita de uma tia-avó, que fui modificando e que acabou por dar nisto:

3 ovos inteiros
50 gr de açucar
canela a gosto (costumo pôr cerca de 2 colheres de sopa)
1 colher de sopa de banha
Metade de um pacote dos pequenos de Becel (o pacote tem 125 gr).
500 gr de farinha
1 colher de sopa de fermento

Mistura-se tudo, amassa-se um pouco e faz-se os biscoitos. Levo cerca de uma hora a terminar o processo. Mas vale a pena. O pior é que os adultos adoram também e acabo por ter de fazer biscoitos regularmente para alimentar tantos gulosos!

A manteiga becel pode ser subtituída por qualquer outra manteiga sem sal. A receita original pedia manteiga normal, salgada, mas para juntar açucar suficiente para cobrir o sal era um problema, por isso faço assim. Por vezes, acrescento um pouco de baunilha também...

Por vezes substituo umas colheres da farinha normal de trigo por farinha de trigo integral. A textura do biscoito não fica tão boa, mas assim tem mais fibras e guardo esses biscoitos para quando ele quer comer e não deve. Os que mostro na fotografia têm bastante farinha integral.

Outra descoberta que fiz é que este formato de biscoitos tem muito menos massa do que uma bolacha ou uma bolinha com o mesmo diâmetro. Para além disso faço sempre os biscoitos fininhos e pequenos. Assim dou-lhe 3 biscoitos de uma vez e ele ficar feliz, feliz! 3???!!! Uau! (Que bom que é ser pequenino!)